capa.indd

Resenha: Não brinque com Fogo ( Dave Gurney #3 ) – John Verdon

Autor: John Verdon
Ano: 2013
Páginas: 400
Editora: Arqueiro
Compre aqui: Buscape

Sinopse: No ano 2000, um criminoso que ficou conhecido como Bom Pastor matou seis pessoas em estradas, dentro de seus carros em movimento. Na época, ele enviou um manifesto à polícia no qual deixava claras suas motivações: uma cruzada solitária contra a ganância. Após o sexto assassinato, no entanto, encerrou a matança e nunca foi descoberto. Dez anos depois, uma jovem estudante de jornalismo está fazendo um documentário sobre os familiares das vítimas quando coisas estranhas começam a acontecer em sua casa. Objetos são trocados de lugar, maçanetas são afrouxadas, luzes se apagam sozinhas. Assustada, ela contrata Dave Gurney como consultor. Depois de ler o material sobre o caso – incluindo o perfil psicológico do assassino elaborado pelo FBI –, o detetive coloca em dúvida toda a lógica da investigação. Ao confrontar os agentes responsáveis, porém, Dave percebe que está mexendo em um ninho de vespas, o que fica evidente quando até pessoas que o apoiaram no passado se voltam contra ele. Agora seu único aliado é o antigo parceiro Jack Hardwick, um policial grosseirão e debochado que não esconde seu desprezo pelas autoridades. Com sua ajuda, Dave tem acesso aos relatórios confidenciais do caso e começa a própria investigação. Mais uma vez, ele se colocará em risco enquanto tenta provar seu ponto de vista e capturar o criminoso.


 

Leia as resenhas dos livros anteriores da série Dave Gurney aqui.

Em ‘Não brinque com fogo‘, nos reencontramos com o detetive aposentado Dave Gurney, agora mais fragilizado pelos acontecimentos do livro anterior e no que eu acredito ser o inicio de uma depressão; com um desanimo significativo para realizar qualquer tarefa, o famoso detetive é uma sombra do que foi nos livros anteriores, pelo menos nos primeiros capítulos dessa história. Mas as coisas se agitam quando Connie, a jornalista que fez as habilidades de Dave famosas, faz um pedido especial ao velho conhecido: ela quer que Dave ajude sua filha, Kim, em um projeto que envolve os familiares das vitimas de um notório serial killer, o Bom Pastor; um assassino que matou seis pessoas 10 anos antes e nunca foi pego.

Apesar de não ser sua decisão inicial, Dave acaba se envolvendo com o projeto e descobre falhas no raciocínio da investigação feita pelo FBI anos antes. Há muitas suposições e poucos fatos e isso desperta seu interesse, assim como pequenos atentados contra Kim que acabam se misturando com o que ele acredita ser o verdadeiro padrão do Bom Pastor. Conforme se torna maior o envolvimento de Dave no projeto, também aumenta a visibilidade do mesmo e isso chama atenção indesejada do assassino, que se sente ameaçado pelas teorias de Dave. Mas as complicações ainda incluem o próprio FBI, cujo agente responsável pelo caso do Bom Pastor faz do protagonista um alvo devido a sua intromissão no caso e opiniões bem divergentes.

– Quanto mais difícil o mistério se torna, mais decidido ele fica.

Kim se virou pra ele, espantada.

-Para meu pai, a dificuldade é um ímã – continuou Kyle. – A impossibilidade é irresistível para ele.

Ao contrario dos demais livros da série, eu tive um pouco de dificuldade de pegar o ritmo nesse; a narrativa inicial ainda é feita por Dave, mas seu desanimo é contagiante. O personagem está sofrendo o trauma residual do seu ultimo caso e isso afeta sua rotina significativamente. Mas conforte ele demonstra um interesse no processo investigativo feito no caso do Bom Pastor, a narrativa vai aumentando gradualmente o ritmo e isso acabou me levando junto. Se nos primeiros capítulos eu mal me impedia de bocejar, do meio ao fim, o livro poderia muito bem estar costurado nas minhas mãos. Comparando com os demais livros da série, esse foi o que  a investigação e o criminoso mais me interessaram; tanto o processo de Dave de desmembrar todo o trabalho já feito e começar do zero com um caso de 10 anos seguindo só uma ideia, como também a patologia do perfil em descoberta do Bom Pastor, ambos os ângulos me mantiveram presa as páginas.

O talento de Gurney para ficar calmo era diretamente proporcional ao desespero das pessoas ao seu redor.

A maioria dos personagens aqui já são conhecidos – pelo menos de quem acompanha a série – , mas alguns foram mais explorados, como o filho de Dave, Kyle. Madeleine continua colorida e perspicaz, uma esposa a altura do grande detetive; na verdade, até superior. Como se tornou tradição, ela ajuda o marido a se manter no caminho certo durante a investigação. Também reencontramos Jack, que continua sendo meu personagem preferido apesar de ser só uma pequena parte da estória. Ele fornece informações importantes e confidenciais para Dave em troca de uma ajuda futura e pelo puro prazer de irritar o FBI. Temos também bastante tempo com Kim, que particularmente não me agradou muito, sua personalidade excessivamente emocional as vezes era até bonitinha, mas no geral tendia a ser mais estúpido e irritante.

-Que tal o fato de vocês terem construído uma hipótese elaboradíssima fundamentada em pouquíssimos dados?

– É nisso que se baseia a arte de construir uma premissa investigativa.

– Também é nisso que se baseiam as ilusões esquizofrênicas.

Assim como os demais livros do John Verdon, foi um tempo bem gasto; apesar da enrolação inicial acredito que foi o que mais gostei. Ele pode ser lido separadamente, mas aconselho a ler os demais livros da série. Dave Gurney é um personagem que merece uma atenção extra.

Espero que tenham gosta e se leram o livro, deixem sua opinião nos comentários.

Comentários

Comentários

Deixe uma resposta