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Entrevistando: Renata Ventura

1- Trazer a magia de Harry Potter para o Brasil e ser fiel não só ao ambiente fantástico como à cultura nacional foi uma tarefa corajosa. De onde surgiu exatamente a ideia de escrever sobre uma escola de magia no Rio de Janeiro ? Você se sentiu pressionada pela popularidade da saga?

A ideia surgiu enquanto eu ia lendo e me apaixonando por Harry Potter. Eu lia pensando ‘se fosse no Brasil, isso e aquilo não funcionariam bem assim’, kkk. Comecei, então, a tentar imaginar como seria a comunidade bruxa brasileira, mas foi só quando a J.K. Rowling sugeriu a um fã norte-americano que ele escrevesse seu próprio livro sobre uma escola de magia nos Estados Unidos, que eu realmente me empolguei com a minha ideia.

Então, comecei a desenvolver aquelas ideias que eu já havia tido e percebi que eu poderia falar muita coisa importante sobre o Brasil através da fantasia; discutir e debater temas essenciais para os brasileiros! Isso só me deu ainda mais vontade de continuar escrevendo, pois vi que eu podia realmente fazer a diferença na vida dos meus leitores, incentivando-os a pensar mais sobre o Brasil, sobre a cultura brasileira, sobre o preconceito que os brasileiros têm do próprio país, do próprio folclore, etc!

2- Seus personagens tem personalidades fortes. Existe algum que foi especialmente difícil de escrever ? E o oposto, qual personagem se desenvolveu mais facilmente?

Acho que Hugo foi o personagem mais difícil. Eu planejava as coisas e ele teimava em não fazer o que eu tinha planejado! Hugo pode ser um pouco teimoso às vezes, e isso sempre complica, mas há muita lógica nas ações dele; ele sempre tem um bom motivo para fazer o que faz, ou uma boa desculpa, mesmo que isso nos revolte, então, ele é um personagem extremamente complicado de escrever, porque vou descobrindo-o a medida que ele age e, só então, percebo que ele não agiria de nenhuma outra forma. Personagens complexos como o Hugo são sempre mais difíceis para um escritor. O vilão da série, por exemplo, é outro bastante complexo. Eu fui descobrindo, aos poucos, quem ele era, o que queria, o que sentia, e isso só fez com que eu me apaixonasse cada vez mais por ele a cada descoberta que eu ia fazendo.

O personagem mais fácil de escrever… acho que foi o Capí. Como ele é o mais bonzinho, ele é também mais previsível. Eu QUASE sempre sabia o que ele vai fazer, mas esse QUASE é importante. Ele é humano, ele sofre, ele não é o personagem mais feliz do universo, e pode surpreender bastante, por exemplo, na capacidade que ele tem de mentir. Isso me surpreendeu. Não estava nos meus planos. Então, Capí acabou não sendo um personagem tão simples quanto eu imaginava que seria para escrever, exatamente por esses detalhes ocultos da personalidade dele, que a gente vai descobrindo aos poucos.

3- A Comissão Chapeleira fez meu coração parar. Estou ansiosa por uma continuação! Você já começou a escrever o próximo livro ? Se sim, tem previsão de lançamento ?

Já comecei sim! Vai se chamar “O Dono do Tempo” e, se tudo der certo, deve sair no final do próximo semestre. No meio de 2016!

4- Eu li que uma das suas autoras preferidas é a Anne Rice. Você chegou a ler a trilogia da Bela Adormecida? O que acha da popularidade atual dos livros eróticos no mercado brasileiro ?

A Anne Rice é maravilhosa. Os vampiros dela são de uma humanidade, de uma fragilidade apaixonantes, e foi isso que me atraiu na escrita dela. Da Anne Rice, eu só li os livros de vampiro, na verdade. Preciso ainda ler a saga de bruxas dela. Não posso deixar passar. Já a trilogia da Bela Adormecida, quando vi que era erótico, não me atraiu muito. Talvez seja preconceito meu. Nada impede um livro erótico de ser profundo, inspirador e alterador de perspectivas! É que eu não me vejo gostando de um livro cujo foco principal seja o erotismo. Ainda não tive vontade de pegar um para ler.

4- Após o fim da saga do Hugo, pretende escrever alguma coisa fora desse universo específico de magia?

Com certeza! Tenho algumas ideias preliminares, mas nada ainda muito definido!

5- Seu fã Club parece ser bem atencioso! Todos parecem gostar muito de você, aliás , tenho um amigo que é meio apaixonado por você depois de conhecê-la na bienal de 2013. Como é sua relação com os fãs da série ? Alguma dica para novos autores em relação à divulgação e interação com o público ?

Eu amo meus leitores. Não consigo ficar longe deles por muito tempo, seja em eventos, seja ficando o dia inteiro no Facebook em vez de escrever o terceiro livro! Eles são incríveis e sempre me dão ideias excelentes. Minha dica para novos escritores é que eles entrem mesmo em contato com o público deles, porque isso é muito inspirador e super animador também! Meu convívio com eles sempre me dá ânimo para escrever cada vez melhor!

6- Às críticas sociais são um lado importante dos seus livros. Explorar essas brechas na cultura brasileira foi algo expontâneo ou houve um planejamento a parte?

Eu sempre quis usar meus livros para melhorar o mundo de alguma forma, então, se você for reparar, tudo que eu escrevo tem sempre alguma crítica social, algum pensamento novo, alguma coisa que inspire meus leitores de alguma forma. Eu não consigo me imaginar escrevendo um livro que não mude em nada o meu leitor. Acho que a literatura serve para isso também. É minha forma de tentar melhorar alguma coisa.

7- Esse ano foi um tanto complicado aqui no brasil para literatura; de ondas de preconceito literário a gente dizendo que Harry Potter não é literatura foi um festival de polêmicas. O que define literatura para você ?

Eu acho estranho quando alguém diz que algum livro que tenha uma história dentro “não é literatura”. O que seria literatura então? Como pode Harry Potter, o livro que fez centenas de milhões de crianças no mundo inteiro descobrirem o prazer de ler, não ser literatura? Não consigo entender. Não sei definir o que seja, nem nunca terei a pretensão de tentar, até porque acho que nenhuma pessoa tem o poder de dizer o que literatura é ou não é. Complexo demais para definir. Mas afirmar que um livro que encantou milhões de pessoas ao redor do mundo não é literatura é muito estranho. Assim como diziam que Paulo Coelho também não era. Como assim?! Eu gostaria muito de saber o que seria literatura para essas pessoas, porque até hoje só as vi dizendo o que “não é”.

8- Como uma autora nacional, você deve lidar com o preconceito do público em relação aos livros brasileiros. Como você lida com esse endeusamento da literatura estrangeira ? E quais seus autores nacionais preferidos?

Eu entendo os jovens que dizem não gostar de literatura brasileira. Dá para entender. Tudo que eles conhecem de literatura brasileira, geralmente, são os clássicos que lêem na escola e que, apesar de brilhantes, na maioria das vezes nunca foram escritos para pessoas da idade deles. Os leitores que, hoje, já são adultos, tiveram o mesmo problema quando eram alunos. Então, acho bastante compreensível que eles, tendo lido apenas livros clássicos da literatura brasileira, escritos séculos atrás, achem mais divertido e se identifiquem mais com a literatura estrangeira contemporânea que eles lêem. São poucos os jovens que conhecem a literatura contemporânea brasileira e podem, assim, fazer uma comparação mais justa entre as duas. Acho que o preconceito vem disso. De desconhecerem (muitos realmente não sabem!) que existam escritores brasileiros hoje-em-dia, escrevendo livros atuais, no mesmo estilo dos livros estrangeiros que eles gostam: livros de aventura, de fantasia, de terror, livros policiais… distopias… Tudo isso existe na literatura brasileira contemporânea, mas a maioria dos leitores brasileiros não sabe disso.

9-  J.K. Rowling tem conhecimento dos seus livros ? O que você diria a ela se pudesse ter cinco minutos no celular com a criadora de Harry Potter?

Quando fui à Londres, deixei meu livro autografado para ela na editora de Harry Potter. Eles me garantiram que entregariam para a J.K. Rowling, mas não sei se entregaram. Seria um sonho realizado se ela lesse meus livros. A J.K. fala português, então, nem seria um sonho tão impossível assim, mas acho que meu livro nunca chegou nela.

O que eu diria a ela se pudesse ter cinco minutos no celular com a J.K. Rowling? Acho que eu nem conseguiria falar direito, me embolaria toda de nervoso e, depois, me arrependeria das bobagens que falei por estar tensa, kkkk. 

10- Obrigado por essa entrevista Renata!

De nada! Adorei responder!

Algum recado para os fãs sobre o que está por vir ?

Personagens irão sofrer! MUAHAHAHA!

Comentários

Comentários

13 comentários em “Entrevistando: Renata Ventura

  1. Oie!!!
    Já tinha ouvido falar sobre um livro de escola de magia e bruxaria no Brasil mas, não sabia de qual se tratava até agora.
    Ameeeeei, quero muito conhecer a historia, fiquei curiosa sobre os personagens que tem vida própria.
    Amei!!!
    Beijos!!

  2. Olá!
    Ainda não conhecia o livro e nem a autora. Bem legal conhecê-la melhor, eu não sabia nada sobre o livro, acho que será um prato cheio para fãs do gênero. Até eu, que não gosto de HP, fiquei interessada =)
    Ótima entrevista.
    Beijos!

  3. Olá!
    Já tinha ouvido falar do livro por cima, pensei diretamente em HP, mas achei que era coincidência, agora sabendo que foi proposital e é sobre a escola de magia Brasileira interessei-me de verdade.
    Beijos.

  4. Olá!
    Espera aí, escola de magia no Brasil? Tô pirando aqui!
    Não acredito que eu não conhecia este livro..
    Mas pelo menos agora sei um pouco sobre a autora e a construção dos personagens, o que me deixou ainda mais ansiosa pela leitura 😀

  5. Oi,ano passado fiquei sabendo sobre os escritos dela, se não me engano ela me contatou pelo skoob me falando sobre,eu me encantei lógico, tem uma marquinho de HP já me convence. Quero demais ler essa delícia e espero ter a oportunidade.

    Amei a entrevista, conheci muita coisa sobre o livro e tomara que tenham entregue o livro dela pra J.

    bjs

  6. Olá, flor!
    Gostei muito da entrevista. A autora se revelou criativa e ousada. Gostei de ver, por exemplo, que Hugo parecia teimar em não fazer o que ela desejava. Eu gosto quando um personagem parece criar vida própria nas mãos dos autores. Para mim, isso só revela uma grande qualidade. Como não li HP, acho que me surpreenderia ainda mais com essa obra. Anotei a dica.

    Beijos!
    http://www.myqueenside.blogspot.com

  7. Oi Eve!
    Eu não conhecia a autora nem o livro dela, mas apesar de não gostar de HP ou do universo dele, achei BEEEEEMMM legal fazer uma escola de bruxaria no Rio de janeiro. Adorei a entrevista, a autora parece saber mesmo o que está falando. Muito ousada, criativa, pés no chão! Acho que se ela escrever algo que não seja bruxo, eu vou querer ler com certeza!!
    Beijos e parabéns novamente pela entrevista.

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